Ensino Behaviorista: punição e recompensa nas escolas brasileiras.

Caro leitor!

     Há algum tempo apresentamos um trabalho na universidade (Unirio) por ocasião da SIA (semana de integração acadêmica). Neste trabalho analisamos os materiais didáticos utilizados pela Prefeitura do Rio de Janeiro, no ensino de crianças e adolescentes do Ensino Fundamental, pois nessa época participamos de um programa de incentivo à docência - PIBID.
       Foi interessante perceber como o material era abordado, além de seu teor. O material de Língua Portuguesa e Literatura que era o que nos competia, trazia textos ricos de informação e conteúdo, porém eram mal posicionados na formatação. Os textos eram cortados, adaptados, e mal explorados. Nada contra fragmentos ou adaptações, pois bem sabemos que esses recursos facilitam a leitura tornando-se práticas atrativas para o leitor em formação.
        O grande complicador desse material didático estava justamente na forma de abordar o texto, porque as perguntas eram superficiais e não ofereciam o questionamento. Além do trabalho com a língua ser demasiadamente pobre. Lembro como se fosse hoje que umas das perguntas oferecidas aos alunos do 9º ano era extraída do texto da Clarice Lispector - Feliz aniversário: a questão além de mal formulada trazia o título do conto, um fragmento qualquer que estava ali apenas por estar sem nenhum sentido, e a pergunta era algo sobre do se trata o conto. Acredito que o elaborador da questão não estivesse muito preocupado com a capacidade intelectual dos nossos alunos, porque pessoa responderia essa questão. O texto não foi explorado, estava ali por mera convenção.
            A essa altura você deve se perguntar o que o meu longo exemplo tem a ver com título. Pois bem, caro leitor, o texto do pedagogo Henry Giroux me fez refletir sobre a situação do docente brasileiro. Você já pensou sobre isso? O professor brasileiro não tem seu potencial explorado e o exemplo acima deixa claro tal condição.
              O material didático preparado para nós, e não por nós, não reflete nosso potencial e nem tampouco do nosso aluno. Recebemos esses materiais e temos que aplicar como se nossos alunos fossem experimentos, pois são obrigados a receber, engolir, lidar com eles no prazo estipulado pelo que diz a grade de horários e no final do bimestre receber a recompensa ou a punição por não ter correspondido o que o governo esperava.
               Somos intelectuais capazes de promover o questionamento ou apenas apenas técnicos capacitados para trazer aos alunos algo pronto? Pense na sua condição, na sua opressão, já que está oprimido. Como você aplicaria o que material que te fazem engolir? Como você ensinaria com criticidade? Como você faria a diferença do que eu vivi com esses materiais? 
              Comece se questionando, porque você não é um rato que tem medo de buscar o alimento. o Choque te faz mais forte, o choque transforma!

              


Comentários

Postagens mais visitadas